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Produções do Edital: Redução de Danos e Democracia - Jeliel Santos

06/06/2022 12:00

Escola Livre de Redução de Danos

Produções do Edital ELRD,

Produções do Edital: Redução de Danos e Democracia - Jeliel Santos

Fui morar na rua porque minha família não me aceita, dizem que o quefaço não é certo, nem moral, sinto que eles têm vergonha de mim. Passo dias e noites...

Produções do Edital: REDUÇÃO E DEMOCRACIA 

Temos muito prazer em divulgar as diversas produções e materiais que fazem parte da série online sobre redução de danos e democracia, enviados por trabalhadores, artistas e ativistas no Edital de Apoio Emergencial.

Apresentamos o Relato de Experiência: Conheci direitos

 

De autoria do Jeliel Santos, 22 anos, Agente Social e Redutor de Danos do Consultório

na Rua de São Luís. Atua com população de rua há 3 anos.

 

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Conheci direitos

Fui morar na rua porque minha família não me aceita, dizem que o que
faço não é certo, nem moral, sinto que eles têm vergonha de mim. Passo dias e noites acordado em baixo da ponte, fumando, cheirando e isso me traz alguns momentos feliz. Depois que o efeito da droga passa, a saudade de casa vem, o peito aperta e me ponho a chorar, me sentido um nada e afogo-me nas drogas novamente.

Um carro branco chegou na boca, desceu umas pessoas e falaram que
eram do “consultório na rua”, não sabia que tinha isso, me ofereceram
consultas com médico e também com dentista. Eles falaram que poderiam tirar meu cartão SUS, minha identidade que perdi quando vim para a rua, me senti importante, ninguém nunca tinha feito isso antes. Conversei com uma doutora que disse que era psicóloga da equipe, foi muito bom, ela não me julgou pelas escolhas que fiz, entendeu a minha situação e me acolheu.

Me apresentaram a “redução de danos”, falaram que isso reduz riscos
para a minha saúde. Comecei a praticar diariamente, passei a usar crack com pó de maconha no cachimbo, preservativos, água durante o consumo de álcool e também parei de pegar carona na porta do ônibus, era uma aventura voltar dos lugares chapado e me segurar só com uma mão do lado de fora do ônibus, me disseram que era perigoso, falei disso aos meus irmãos da rua. Essa ambulância começou a cuidar da gente na rua, eles vêm de manhã, tarde, pela noite, e sempre dispostos a nos ouvir e ajudar.

Outro dia escutei que esses serviços poderiam acabar, o governo desse
Bolsonaro não gosta de moradores de rua; dizem que tem que nos internar, só a gente usa drogas? Cadê a democracia e a liberdade? Só serve para alguns?

 

Bio: Jeliel Santos, 22 anos, Agente Social e Redutor de Danos do Consultório na Rua de São Luís. Atua com população de rua há 3 anos.


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